4 de outubro de 2007

Felinos

Quando vi aquela bolinha branca e amarela meu coração decidiu que era aquele!

Nicodemos, o gato, chegou em casa ainda bem pequeno. Sua calma, auto suficiência e quase gratidão eram marcantes. Aprendemos logo que os gatos são seres superiores. Sabem o que querem, não sofrem, não tem insônia. São capazes de dormir 16 horas por dia tranquilamente e sem dor na consciência. O andar elegante de um gato é como de uma Gisele Bundchen, provocam inveja em qualquer um. São esculturas em movimento. São puro instinto: se não tem atum, caçam as moscas. Gatos tem glamour, são belos, graciosos, hedonistas.

O Nico fingiu ser um gato bom, pelo menos no começo, até que a gente se apegasse a ele. Raros gatos são explicitamente carinhosos e o Nico nunca foi um deles. Sempre gostou de ficar perto, mas nunca junto. Fazia jus a frase: "dorme feito um gato". E ainda é assim. Sua rotina basicamente se resume a dormir. Depois desperta, toma o seu banho (as famosas lambidinhas), come, toma banho de novo, toma sol, se enrola em cima de uma almofada e dorme novamente. Quando acorda, no fim da tarde, se dedica à contemplação das janelas. Horas e horas fica quieto, olhando o movimento da rua, o barulho das construções, dos carros, os pássaros que passam - sua verdadeira paixão.

Então brinca pela casa, corre cheio de brilho nos olhos alucinado pelo corredor. Caça pedaços de papel amassado e clips, como se fossem verdadeiros inimigos mortais.Diverte-se sozinho. Depois deita e dorme novamente. Um felino plenamente feliz.

Ele completava nossa vida e a gente completava a vida dele! Comida e água fresquinha todos os dias, afagos e presentinhos... o que mais um gato podia querer nessa vida? Só que o Nico estava se tornando um gato muito mimado e a solução seria arranjar logo uma companhia pra ele.

Foi quando adotamos uma gata, a Cléo! Tadinha! Sua breve história de vida era marcada pela dor, pela perda, pela tragédia. Queríamos dar uma nova chance a ela. A gatinha era magra, feia e medrosa. Tremia tanto que achamos que ela não ia vingar. Cleo tinha um temperamento doce, era companheira e super carinhosa. Subia no colo e ronronava alto. Dava gosto de ver. Fazia carinho com a cabeça e com as patinhas... Passava horas no colo sem pressa de ir embora... Nos apaixonamos pela gata. Ela sim era companheira, tudo que o Nico jamais havia sido.

No começo vivemos momentos de tensão pois o Nico tentou de todas as maneiras ignorar aquela nova realidade. Se tornou vingativo, egoista. Não queria se adaptar nem se abrir ao novo. Felinos são territorialistas. Quanto mais a gata se sentia a vontade, mais Nicodemos se fechava. Se escondia embaixo dos móveis, ignorava a presença dos donos, vomitava sem parar. Ficou tão estressado que chegamos ao extremo de dar florais de Bach ao bichano para ver se ele se acalmava.

Não dá para comparar um gato com outro gato, como se faz com os cachorros. Gatos têm personalidades individuais, e por isso são tão interessantes.

Depois de algumas semanas finalmente ele começou a aceitar a irmã. A amizade foi crescendo e virou amor de irmãos. Faziam tudo juntos. Dormiam, brincavam, caçavam, comiam... muito fofos!! Castramos logo os dois, e demos do bom e do melhor pra essas duas bolinhas de pêlo que alegravam nossa casa e nossas vidas!

O tempo passou e não sei o que estragou esses gatos. Talvez o convívio com humanos, não sei ao certo se foi comigo, realçou nos gatos o que há de pior nos cachorros.

O Nico se transformou num gato carente e cheio de manias. Se não pode dormir no quarto, fica na porta, esperando um movimento para entrar sorrateiro e ficar por ali. Tem mania de ficar dentro do tanque da lavanderia esperando alguém abrir a torneira para ele se esbaldar (o gato gosta de água). Se é percebido, corre, foge, se esconde. E quando se da conta que perdeu, pula sobre o sofá, e se esconde na janela. Se sente saudades, vomita na sala ou no corredor. De vez em quando em cima do tapete. Só de raiva. Cobra a presença dos donos com miados estridentes. Disputa atenção com a Cléo, jornais, livros e, sobretudo, com o teclado do computador. Detesta ter seu território invadido por estranhos, humanos ou bichos. Sabe, como ninguém, estragar uma conversa. Mia, corre, derruba objetos, dá voltas atrás do próprio rabo e se joga contra a janela, fazendo barulho e provocando constrangimento.

A Cleo se acha a dona da casa e quer ser o centro das atenções. Se joga no chão pra fazer charminho quando sente o movimentos em direção a porta. Provoca o Nico, mordendo e arranhando e depois sai correndo pra perto dos donos para se salvar de um ataque feroz. Não sobe mais no nosso colo e nem faz carinho. Sobe na geladeira, na janela, no armário, na secadora e observa tudo do alto. Se sente um ser superior. Vem e vai quando quer. Não é mais aquela gatinha magra e feia. Virou uma lady ares de rainhs que faz de tudo para conseguir o que quer e quase sempre consegue.

A cada dia que passa estão mais preguiçosos, gordos e folgados. Ontem o Nico quebrou o abajur do quarto para chamar atenção. A Cléo está destruindo o sofá da sala de TV de tanto arranhar.

Tem gente que não gosta de gatos.

Deve ser porque os felinos são demasiadamente humanos.

E é isso que os torna tão interessantes e apaixonantes!





1 comentários:

Efe Celeti disse...

imagem que te mandei!!!!!!!!!! hehehee


adorei a historinha... hehehhe